Observacao de Baleias em Ilhabela

Observação de Baleias em Ilhabela: Saiba como agir!

A observação de baleias em Ilhabela tem sido cada vez mais comum. Em certas épocas do ano, algumas espécies de baleias costumam passar pela região de Ilhabela, sendo possível, muitas vezes, até avistá-las.

O pessoal do Projeto Baleia à Vista, que monitora baleias e golfinhos na região, conversou conosco e nos deu algumas dicas sobre o que fazer quando encontrá-las pelo caminho, durante um passeio de barco.

Tem ano que é mais comum avistar baleias em Ilhabela e, muitos turistas acabam tendo encontros inesperados durante os passeios de barco pela ilha.

A época mais comum para avistá-las é entre junho e setembro, sendo a presença das baleias Jubartes mais frequentes. Mas já houve também casos de orcas.

O Projeto Baleia à Vista tem como objetivo monitorar e organizar os registros da fauna marinha, especialmente dos cetáceos, família que inclui as baleias e golfinhos.

Eles tiraram todas as nossas dúvidas quanto a razão de ter baleias na região, se são perigosas e sobre o que devemos fazer quando avistar animais como esses.

Confira a seguir!

Por que a observação de baleias é frequente em Ilhabela?

Observação de Baleias em Ilhabela já é um evento conhecido por todos.

Só no período de janeiro a setembro de 2018, mais de 83 baleias passaram pelo Litoral Norte, resultando em um aumento significativo no número de baleias registradas na região de Ilhabela pelo Projeto Baleia à Vista.

Observou-se que esse aumento foi entre as baleias Jubartes, durante sua migração para Abrolhos (litoral da Bahia), que costuma acontecer entre junho e setembro.

No ano anterior (2017), o projeto havia registrado cerca de 9 baleias dessa espécie na região, mas em setembro de 2018, esse número subiu para 42.

A explicação dos especialistas foi de que nos últimos anos, as Jubartes estão seguindo uma rota mais próxima da costa. Por isso, uma grande quantidade acaba fazendo um trajeto que inclui o entorno de Ilhabela, ao passar pelo Canal de São Sebastião, rumo à Bahia.

De acordo com o pessoal do projeto, existem várias teorias que explicam o motivo dessa mudança de rota, embora não se saiba ao certo como de fato ocorreu.

A primeira hipótese levanta a teoria de que possa estar havendo uma redução de alimentos (krill) na região antártica, fazendo com que elas venham buscar esse alimento perto da costa.

Já a segunda hipótese tem a ver com o aumento no número de baleias Jubarte, que acaba obrigando-as a expandir o seu território.

Estima-se que existem 20 mil baleias Jubarte no Atlântico Sul, um número bem maior do que o registrado há 30 anos, quando ainda era permitida a caça da espécie. Após a proibição, foram registradas somente cerca de 3 mil baleias e hoje elas podem ser vistas em toda parte, por conta desse aumento.

Quais as espécies de baleias e golfinhos mais comuns em Ilhabela

golfinho no mar

Há muitas espécies migratórias de golfinhos e baleias na região.

Como dissemos acima, é mais comum a observação de baleias na região de Ilhabela entre os meses de junho e setembro, especialmente as Jubartes.

Já as Orcas são mais raras, pois elas preferem os períodos mais quentes em que a temperatura da água é mais alta. E os golfinhos costumam circular por aqui o ano todo, sem que tenhamos um período específico. Ô sorte!

Isso porque os golfinhos estão sempre procurando por comida ou se deslocando pela região em diferentes pontos de Ilhabela. Não precisa ter muita sorte para ter a presença ilustre de pequenos grupos acompanhando os barcos de passeios turísticos.

Na verdade, contamos com 4 espécies de baleias na região, e nenhuma delas é considerada agressiva ou oferece risco ao ser humano.

Essa história de que baleias Orcas são assassinas é enredo de filme Hollywoodiano. O perigo maior somos nós seres humanos, que as caçamos e matamos por dinheiro ou ignorância.

Em se tratando de golfinhos, foram registrados cerca de 80 deles na região nos últimos 3 anos, mantendo a frequência, todos os anos. Além disso, existem 6 espécies mais comuns.

Espécies de baleias avistadas por todo Litoral Norte

A observação de baleias em Ilhabela é feita com todo cuidado para preservar as espécies.

A observação de baleias em Ilhabela é feita com todo cuidado para preservar as espécies.

De todas as espécies de baleias registradas em Ilhabela, as mais comuns são as Jubartes e Orcas. No entanto, são 4 espécies ao todo, veja a seguir!

Baleia de Bryde (Balaenoptera brydei)

Essa espécie de baleia é residente da região, e pode chegar a 16 metros de comprimento e pesar cerca de 20 toneladas. Ela se alimenta de pequenos peixes (sardinhas, manjubinhas, etc.) e costuma estar mais próxima da costa durante a primavera e especialmente no verão.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeanglia)

As Jubartes migram das águas frias da região antártica para as águas quentes da Bahia no inverno, por isso passam pela nossa região. Elas retornam no verão todos os anos para reprodução.

Podem chegar a 16 metros de comprimento e pesar até 40 toneladas. São baleias acrobáticas que costumam saltar bastante, vide milhares de fotos incríveis delas no ar na internet.

Orcas (Orcinus orca)

Na verdade, a Orca é da família dos golfinhos, sendo até considerada o maior golfinho existente. Elas podem medir entre 7 a 10 metros de comprimento e pesar entre 5 e 9 toneladas.
Baleias Orcas costumam vivem em grupos coordenados, sempre com uma líder. É uma espécie muito inteligente, que está sempre no topo da cadeia alimentar, afinal possuem uma dieta variada.

No entanto, não saem por aí atacando seres humanos, elas se alimentam de peixes e mamíferos aquáticos.

Baleia Franca (Eubalena australis)

Essa é a maior espécie de baleias por aqui, podendo chegar a 17 metros de comprimento e pesar até 100 toneladas.

As Francas vivem na região sul e migram para águas mais quentes para procriar. Por isso, a observação de baleias como essas é sempre uma curtição, pois acabam passando por aqui na companhia de seus filhotes, na busca de praias de águas calmas para amamentá-los.

Espécies de golfinhos mais comuns na região

golfinhos nadando juntos

Os golfinhos ficam na região o ano inteiro, sem período específico, e podem ser vistos com mais frequência durante os passeios de barco. São 6 espécies ao todo, veja a seguir:

Golfinho Nariz de Garrafa (Tursiops truncatus)

Essa espécie é a maior entre essas outras espécies de golfinhos na região. Eles podem chegar a 3,80 metros de comprimento e pesar até 350 kg. São muito acrobáticos, podendo saltar até 5m de altura.

Golfinho de Dentes Rugosos (Steno bredanensis)

Os golfinhos de Dentes Rugosos são uma espécie que ataca em bando, se alimentando de grandes cardumes de tainhas, dourados etc. Eles podem medir até 2,80m e chegar a pesar 155kg.

Golfinho Pintado do Atlântico (Stenella frontalis)

Essa espécie é a mais comum nesta região. Ele mede cerca de 1,90 a 2,30m de comprimento e pode pesar até 140 kg. Ele também é capaz de saltos incríveis!

Golfinho Comum (Delphinus sp)

Como o nome já diz, é a espécie de golfinho mais comum em todos os mares. Mas vive em alto mar, por isso é mais difícil avistá-lo próximo à costa. Eles chegam a medir 2,10 a 2,40m de comprimento e pesar até 110kg.

Boto Cinza (Sotalia guianensis)

Essa espécie de golfinho vive próxima da costa e forma grupos de 150 ou mais indivíduos. Eles podem medir de 1,70 a 1,80m de comprimento e pesar até 120kg.

Toninha (Pontoporia blainvillei)

Enquanto os golfinhos Nariz de garrafa são os maiores, essa espécie é a menor de todas da lista. Eles medem cerca de 1,20 a 1,70m de comprimento e pesam no máximo 55kg. Eles são endêmicos do Atlântico Sul (do Espírito Santo até a Patagônia), mas estão em risco de extinção.

O que fazer caso avistar uma baleia?

Embora a observação de baleias em Ilhabela seja comum, existem normas para protegê-los. Portanto, a regra é clara: na presença de baleias e golfinhos a ordem é não importuná-los.

Veja o que fazer e quais cuidados tomar, a fim de não provocar acidentes, e proteger os animais sem colocá-los em risco:

  • Ao navegar, fique sempre atento a sinais como pássaros atacando algum cardume de peixes, pois é possível também a presença de baleias ou golfinhos, pelo mesmo motivo dos pássaros: comida!
  • O borrifo da baleia é a primeira coisa a ser avistada. Neste caso, diminua a velocidade do barco para menos de 12 nós ou desligue o motor.
  • Nunca se navega em rota de colisão com uma baleia, a aproximação deve ser feita pelo través mantendo a distância de segurança de 100 metros.
  • Não se deve perseguir uma baleia e nem bloquear sua passagem ao se colocar no meio de sua rota.
  • Se a baleia decidir se aproximar do barco (muitas são curiosas), nunca acelere. Ao invés, corte o motor ou deixe-o neutro, se afastando quando a baleia já estiver visível e a uma distância segura do motor.
  • Em em um canal, como no lado urbano da Ilhabela, a embarcação deve ficar do lado da praia ou costeira, deixando a baleia no meio do canal, para não acabar “empurrando” a baleia para a praia ou costa, provocando o seu encalhamento.
  • Use sempre o bom senso e mantenha as distâncias seguras. Dessa forma, você assiste a um belo espetáculo da natureza e ainda garante a segurança da jornada do animal.