historia de ilhabela visão panorâmica do alto do morro

História de Ilhabela

A história de Ilhabela remonta período até mesmo anterior à chegada dos portugueses em terras brasileiras.

Ilhabela viveu os áureos tempos da cana-de-açúcar, assistiu ao seu declínio, serviu de refúgio a escravos fugidos de navios negreiros, foi região de abrigo para piratas, reinventou-se com as fazendas de café até se consolidar como balneário turístico nos dias de hoje.

Vamos entender um pouco da sua história desde o início abaixo.

Acompanhe!

Um pouco da história de Ilhabela

historia de ilhabela

Ilhabela é um dos locais mais antigos do Brasil.

Acredita-se que o arquipélago de Ilhabela já era habitado muito antes da chegada dos europeus ao Brasil por índios sambaquieiros e ceramistas, durante a era pré-colonial.

Segundo pesquisas arqueológicas, pelo menos quatro das ilhas do arquipélago fazem parte de sítios arqueológicos pré-coloniais nas ilhas de Vitória, Búzios e dos Pescadores. 

De acordo com os vestígios encontrados (coleções de conchas, frutos do mar e cerâmicas), os primeiros habitantes do arquipélago teriam sido pescadores e coletores que viviam em acampamentos a céu aberto próximos às praias e baías, sendo que pouco exploravam as matas, apenas colhendo frutas e ingredientes para remédios.  

Antes da colonização pelos portugueses, essas tribos foram substituídas por povos tupis-guaranis e jês, que tinham conhecimentos de cerâmica e agricultura, deixando como único vestígio de uma aldeia, o chamado “sítio Vianna” na ilha principal (Ilha de São Sebastião).

História de Ilhabela do Período Colonial

Após a colonização portuguesa, durante o período do Brasil Colônia, Ilhabela foi descoberta após uma expedição exploradora enviada ao Brasil pelos portugueses, sendo batizada com o nome de São Sebastião.

Nesta época, a ilha servia de abrigo e entreposto para piratas e corsários vindos da Inglaterra, França e Holanda, que vinham atrás de lenha, alimentos e água. 

Eles foram os principais responsáveis por ataques a embarcações e povoados portugueses, fazendo com que a coroa portuguesa a perdesse muito ouro e outras pedras preciosas até o século XVII. Por esta razão Ilhabela tem fama de ter muitos tesouros escondidos pelo seu território.

O primeiro morador da da Ilha de S. Sebastião foi Francisco de Escobar Ortiz, o mesmo que implantou os primeiros engenhos de açúcar na ilha, para a fabricação de “aguada”, levada pelos muitos galeões e caravelas de passagem por ali.

Na época, a cana-de-açúcar era o produto mais cultivado em todo o litoral paulista e exportado para a metrópole, sendo plantada nas áreas voltadas para o oceano e até nas ilhas mais afastadas, como Vitória e Búzios.

Escravidão e ouro

Por conta do tráfico negreiro, o canal entre a ilha e o continente passou a ser frequentado por navios negreiros, sendo que alguns escravos fugidos fundaram os primeiros quilombos da região, em áreas distantes e de mata fechada.

A Vila de São Sebastião foi criada em 1636, desmembrando-se político administrativamente da Vila do Porto de Santos, abrangendo também o território da Ilha de São Sebastião (Ilhabela atual).

Entre os séculos XVII e XVIII, a vila de São Sebastião era um importante porto para escoar o ouro encontrado nas regiões, que hoje conhecemos por Mato Grosso do Sul e Goiás. 

Por esta razão, a segurança do canal foi reforçada com a construção de fortins, fortes, trincheiras e artilharias, a fim de proteger as embarcações que saíam de lá para outras partes do Brasil e do mundo. 

Com isso, as primeiras povoações brancas foram estabelecidas no local, ganhando a concessão para cultivo não só da cana, mas também de fumo e anil.

Além disso, nessa mesma época instalaram-se uma armação baleeira, a primeira da Capitania de São Paulo, na Ponta das Canavieiras.

História de Ilhabela na Era do café

historia de ilhabela

No começo do século XIX, Ilhabela se chamava Ilha de São Sebastião e seu principal povoado tinha o nome de Capela de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso.

Porém, a sua importância política, social e econômica por conta das atividades agrícolas e comerciais da região, a Ilha de São Sebastião alcançou a condição de Vila, passando a se chamar “Villa Bella da Princesa”.

Com o tempo, as atividades canavieiras entraram em declínio e foram substituídas pelo café, seguindo o exemplo do restante do Vale do Paraíba. 

A produção se concentrou na Ponta do Boi, no sul da ilha, mais precisamente na Fazenda Nossa Senhora das Galhetas, Figueira e Sombrio. 

No entanto, o cultivo do café exigiu um desmate nas matas ainda maior que o da cana-de-açúcar para o seu plantio, pois o café devia ser cultivado em altitudes de mais de 500 metros, nas escarpas da ilha principal.

Nesta época, a população da ilha aumentou e passou a ficar concentrada no lado voltado para o continente, sendo que a produção de café era maior que a de qualquer município litorâneo de São Paulo.

O fim da era cafeeira

A abolição da escravatura no Brasil colocou um fim na era do café na região e a economia da ilha resgatou suas atividades do engenho, passando a produzir novamente aguardente em vez de açúcar. 

A produção era destinada principalmente à exportação, em pequenas quantidades, através do porto de Santos. Essa produção era levada ao porto pela própria população por meio de canoas denominadas “vogas”; uma herança de fabricação indígena ancestral da região. 

No entanto, a fabricação das embarcações exigia mais desmatamentos, uma vez que as árvores retas e de grande porte eram as ideais. Além disso, outras árvores eram derrubadas ao longo do processo, seja para abrir caminho para o transporte da matéria-prima, ou para servir de “esteiras rolantes” que transportavam a matéria-prima.

A produção de vogas foi tão intensa que a Villa se tornou o principal centro de fabricação no litoral de São Paulo até o século XX.

História de Ilhabela no período de estagnação econômica

Houve um novo declínio de cultivo na cana-de-açúcar e a ilha passou por um período de estagnação econômica. 

Foi quando na década de 1920, imigrantes japoneses se instalaram na ilha trazendo novas tecnologias. Ao mesmo tempo, o barco a motor e as redes de cerco alavancaram a pesca na região, tornando o uso das canoas de voga gradativamente obsoleto.

Na primeira metade do século, a pesca ajudou a levantar a economia da ilha, transformando-a em uma potência local novamente. O Saco do Sombrio, que antes era um ancoradouro de navios negreiros e estava desabitado há anos, virou o maior porto pesqueiro da vila. 

O local se tornou tão importante que foi elevado à condição de distrito (com o nome Paranabi), juntamente às ilhas de Búzios, Vitória e dos Pescadores. 

Além da pesca, o artesanato e a coleta de algas marinhas, ensinada pelos japoneses, também ganharam mais força.

Retomada com o turismo

historia de ilabela

Após os anos 1930, a vila sofreu também as consequências da crise mundial do período, que somou-se à revolução constitucionalista e o consequente bloqueio marítimo imposto ao estado de São Paulo. 

Os imigrantes japoneses acabaram deixando o local, acarretando no desemprego de muitos pescadores e tripulantes. Além disso, os peixes em volta da ilha desapareceram, aumentando a miséria da população local. 

Conforme o interior do estado estava sendo desbravado com a construção de novas estradas e ferrovias, boa parte da população migrou para a região em busca de melhores oportunidades de trabalho e condições de vida. O êxodo acabou propiciando uma recuperação da mata nativa.

Em meio à grave crise econômica do país, o governo paulista reestruturou a divisão territorial do Estado, extinguindo 18 pequenos municípios, entre eles o de Vila Bela da Princesa ou Vila Bela, que passou a integrar novamente o território da Vila de São Sebastião. 

Getúlio Vargas revogou a extinção do município e mudou o nome de Vila Bela para Formosa, que mais tarde por imposição dos moradores passou a se chamar Ilhabela.

O turismo na ilha passou a ser uma alternativa para a retomada econômica, melhorando a infraestrutura local e divulgando o local como <em>”símbolo da aventura, do prazer e da natureza selvagem”</em>.

Com isso, o turismo e a especulação imobiliária passaram a ameaçar a mata nativa, estimulando ambientalistas a cobrarem a criação de Unidades de Conservação,  como o Parque Estadual de Ilhabela nos anos 1970. 

Em meados do ano 2000, o turismo aliado às atividades do Porto de São Sebastião e do Terminal da Petrobras, eram os principais vetores de pressão ambiental no local. Já a partir de 2011, pontos de exploração das camadas de pré e pós-sal passaram a ser nova ameaça.

História de Ilhabela nos dias de hoje

Ilhabela hoje é considerada um dos balneários mais visitados por turistas brasileiros e estrangeiros, movimentando grande parte da economia nesse setor.

Todos os anos a ilha recebe turistas do mundo inteiro e, praticamente triplica a sua população nas altas temporadas.

Além da beleza natural e ecoturismo, com sua natureza exuberante e praias de ilhabela) o local tem grande relevância gastronômica (não deixe de conhecer os restaurantes de Ilhabela) e hoteleira. É um dos destinos mais procurados no verão e em épocas de eventos famosos, como a Semana da Vela.