Naufrágios em Ilhabela: Saiba mais sobre o Museu Náutico de Ilhabela
Já ouviu falar em naufrágios em Ilhabela? Certamente, o balneário paulista é um local de muitas riquezas naturais, seja pela sua região costeira banhada por águas transparentes e praias paradisíacas, ou pela vegetação de mata Atlântica de suas montanhas e morros, repletos de cachoeiras e fauna nativa.
No entanto, por ter sido uma região de passagem de navios por milhares de anos, alvo de piratiaria, e até uma das principais rotas marítimas para escoamento do café no Brasil, Ilhabela também esconde muitas outras riquezas escondidas no fundo do mar.
Obviamente, você já deve ter ouvido falar que o local é um reduto sagrado de mergulhadores, só não é da fauna marítima que estamos falando; mas dos inúmeros naufrágios que ali ocorreram há séculos atrás.
Portanto, o local abriga dezenas de embarcações nas profundezas do oceano, que formam o maior cemitério de navios do Brasil.
Quer saber por que tantos naufrágios na região? Continue lendo abaixo!
Como foram ocorrer naufrágios em Ilhabela?
Quem olha as praias de águas límpidas e calmas, quase sem onda da parte leste da ilha, não imagina que ali já ocorreram inúmeros naufrágios.
A explicação para o fenômeno está nas rochas que aqui existem: magnetita. Este tipo de rocha costuma formar um campo magnético que interferia nas bússolas dos navios e desorientava os comandantes, que acabavam batendo as embarcações em bancos de areia ou recifes.
Havia também época de ventos fortes vindos do extremo sul do arquipélago, que não obstante deram até o apelido de “Triângulo das Bermudas brasileiro” para a região.
Ao longo dos séculos, praticamente todo tipo de embarcação já afundou ali: barcos de pesca, vapores, veleiros, cargueiros, rebocadores e navios com passageiros.
Por isso, Ilhabela é considerada um paraíso para mergulhadores, que fazem de tudo para chegar aos destroços desses navios – vasculhando as riquezas de anos atrás que por ali vivem em meio à várias espécies de peixes.
Museu Náutico de Ilhabela
Mas você não precisa mergulhar nas profundezas do oceano para observar a prova viva dessa história. Ilhabela possui um acervo das peças descobertas recuperadas dos naufrágios, todas documentadas no Museu Náutico de Ilhabela.
O acervo conta com louças, talheres de prata, cristais e outras peças que um dia estiveram a bordo de luxuosos navios que por ali passaram e não tiveram um bom destino, mas que hoje estão à mostra para quem quiser apreciar.
A maioria das peças pertence ao Príncipe de Astúrias, um transatlântico que seguia da Espanha para a Argentina, mas acabou afundando na Ponta da Pirabura, matando afogadas cerca de 500 tripulantes ou mais, pois haviam centenas de imigrantes viajando clandestinamente a bordo.
Tal tragédia ficou até conhecida como o “Titanic brasileiro”, sendo um dos maiores naufrágios que já aconteceram na nossa costa.
Outras atrações do Museu
Outro naufrágio famoso que rendeu um bom acervo ao museu é o Dart, um navio cargueiro que levava o café brasileiro para Nova Iorque.
De seus destroços foram resgatadas muitas peças de louças de porcelana inglesa com o brasão do correio britânico.
O Museu Náutico de Ilhabela possui réplicas desses e de outros navios, bem como uma mostra sobre a produção de energia na ilha, pois no espaço onde hoje é o museu funcionava uma antiga usina hidrelétrica local.
Assim, o local também conta com um acervo arqueológico, com objetos que datam de um período remoto antes até da sua colonização. Como por exemplo, o esqueleto do morador mais antigo de Ilhabela, de 2 mil anos de idade.
Sua ossada está abrigada por um antigo sambaqui, uma espécie de cama de sepultação feita de conchas onde os primeiros povos eram sepultados.
Uma visita imperdível para quem gosta de história e arqueologia, que remonta períodos históricos locais com tesouros escondidos debaixo da terra e do mar.
Uma prova viva de que a história não precisa desaparecer no passado e de que um naufrágio não termina no fundo do oceano.
Informações do local
Rua: José Bonifácio, sem n° – Bairro da Água Branca.
Tel: (12) 3896-3757
Horário de Funcionamento: todos os dias, das 10h às 18h (consulte horários diferenciados em feriados)
Entrada: gratuita com visita monitorada